Operação apura plano para matar promotor em Campinas

A Polícia de São Paulo e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado de São Paulo, realizam nesta terça-feira 09/06/2026 a Operação Infiltrados, que investiga a atuação de organizações criminosas na corrupção de agentes públicos, prática de extorsões, violação de sigilo funcional e a possível infiltração de integrantes dessas organizações no próprio Ministério Público paulista.

A ação é mais um desdobramento das investigações conduzidas pelo Gaeco e busca aprofundar a apuração de crimes que envolvem agentes públicos suspeitos de colaborar com integrantes do crime organizado. A operação mobilizou equipes da Polícia Militar, da Corregedoria da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Penal para o cumprimento de ordens judiciais expedidas pelo Juízo de Garantias de Campinas.

Ao todo, estão sendo cumpridos dez mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão temporária nas cidades de Campinas e Cardoso. A operação conta com a participação do 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) de Campinas, além dos órgãos de controle das corporações envolvidas.

A Operação Infiltrados surgiu a partir de elementos obtidos durante a Operação Pronta Resposta, deflagrada em 22 de agosto de 2025. Na ocasião, o Gaeco investigava uma organização criminosa suspeita de planejar um atentado contra a vida de um promotor de Justiça integrante do próprio grupo especializado de combate ao crime organizado.

Segundo as investigações, uma semana antes da deflagração da Operação Pronta Resposta, o Gaeco descobriu que um dos principais acusados de participar da execução do plano para assassinar o promotor se reuniu com o chefe dos investigadores da Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas.

Durante a análise do material apreendido pelos investigadores, foram localizados vídeos que registrariam o encontro entre os investigados. As imagens teriam sido produzidas justamente nos dias que antecederam a operação que acabou frustrando o suposto atentado contra o membro do Ministério Público.

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A partir dessas evidências, o Gaeco passou a investigar se informações privilegiadas e consideradas sensíveis foram repassadas ao criminoso pelo investigador de polícia. A suspeita é de que o acesso a dados estratégicos possa ter beneficiado integrantes da organização criminosa e comprometido ações investigativas em andamento.

Outro desdobramento das Operações Pronta Resposta e Off White levou os promotores a identificar uma nova frente de investigação. De acordo com o Gaeco, um dos principais integrantes da organização criminosa investigada estaria sendo vítima de extorsão praticada por um agente que utilizava informações privilegiadas para obter vantagens indevidas.

Com o aprofundamento das investigações, foi identificado que o responsável direto pela extorsão seria um estagiário que atuava no próprio Ministério Público. Segundo os investigadores, há indícios de que ele teria se infiltrado deliberadamente em uma das Promotorias de Justiça Criminais de Campinas com objetivos criminosos.

As apurações apontam que o estagiário teria utilizado bancos de dados e sistemas de pesquisa institucionais, contando com o auxílio de outros agentes públicos, para identificar criminosos com elevado poder econômico. A partir dessas informações, ele teria realizado extorsões, exigindo dinheiro em troca de uma suposta proteção contra investigações e procedimentos criminais.

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Entre os agentes públicos que teriam colaborado com o esquema estariam um policial penal e um ex-policial civil. Este último já havia sido expulso da corporação anos atrás após envolvimento em crime de extorsão mediante sequestro.

As investigações também apontam que os atos de extorsão teriam sido praticados utilizando a internet de um escritório de advocacia. Em razão dessa circunstância, o cumprimento das medidas judiciais no local contou com acompanhamento específico da Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), garantindo o respeito às garantias legais relacionadas ao exercício da advocacia.

Por envolver suspeitos ligados à Polícia Civil e à Polícia Penal, a Operação Infiltrados recebeu apoio direto das corregedorias das duas instituições. A atuação conjunta tem como objetivo assegurar a transparência das investigações e a correta apuração das responsabilidades dos envolvidos.

A operação representa mais uma etapa das ações desenvolvidas pelo Ministério Público e pelas forças de segurança do Estado de São Paulo no combate ao crime organizado, à corrupção de agentes públicos e à utilização indevida de informações sigilosas que possam comprometer investigações e a atuação da Justiça.

Redação Gazzeta Paulista
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