Mais de 1.700 agentes integrados da Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), Secretaria de Estado da Segurança Pública e Secretaria da Fazenda deflagraram, na manha desta quinta-feira (10/09/2026), a Operação Frankmobile. A megaação tem como objetivo desmantelar uma complexa organização criminosa especializada em furtos, roubos, desbloqueios ilegais, adulteração, receptação e revenda de aparelhos celulares e peças na capital e Região Metropolitana de São Paulo.
A Justiça paulista expediu 84 mandados de busca e apreensão e sete mandados de prisão temporária, com cumprimentos efetuados em alvos nos estados de São Paulo e Goiás. Além disso, foram determinadas medidas judiciais para o sequestro e bloqueio de bens e valores financeiros dos investigados que ultrapassam a marca de R$ 5 milhões.
Dois Anos de Investigação e Apoio de Cães Farejadores
A ofensiva é resultado de dois anos de apurações minuciosas e trabalho de inteligência conduzido pelos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), em parceria com a Assessoria de Inteligência da Segurança Pública.
A investigação revelou que a maior parte das empresas envolvidas no esquema está sediada na Capital paulista. Diversos estabelecimentos funcionavam sem registro formal nos órgãos competentes, operando movimentações financeiras milionárias incompatíveis com o porte das empresas de fachada.
Nos endereços apontados como pontos de receptação e desmanche de eletrônicos, o cumprimento das buscas contou com o suporte do canil da Polícia Penal do Estado de São Paulo. Os cães farejadores utilizados nas diligências são treinados especificamente para detectar componentes eletrônicos e elementos químicos presentes nos telefones celulares, facilitando a localização de aparelhos escondidos em fundos falsos.
As Quatro Etapas da Cadeia Criminosa
O relatório elaborado pelo GAECO e apresentado ao Poder Judiciário detalha a divisão de tarefas e os quatro núcleos estratégicos que garantiam o lucro da organização criminosa em cada etapa do processo:
- Núcleo de Execução (Furtos e Roubos): Formado por criminosos que atuam diretamente nas ruas da capital, realizando assaltos, furtos em grandes eventos e quebras de vidros de veículos durante congestionamentos no trânsito.
- Núcleo de Desbloqueio e Fraudes Financeiras: Responsável por acessar o interior dos dispositivos, quebrar senhas, acessar aplicativos de bancos, realizar transferências fraudulentas para contas de laranjas e extrair dados pessoais das vítimas.
- Núcleo de Adulteração e Revenda: Encarregado de alterar o IMEI (identificador único do aparelho), remover bloqueios das operadoras e utilizar servidores hospedados no exterior para “limpar” o histórico do telefone, permitindo a revenda dos celulares no mercado informal como se fossem legais.
- Núcleo de Desmonte e Comercialização de Peças: Responsável por desmanchar os telefones que não podiam ser totalmente desbloqueados, vendendo componentes, telas e placas separadamente para maximizar a margem de lucro do grupo.
As investigações prosseguem sob responsabilidade do MPSP e da Polícia Civil para identificar novos receptadores e recuperar o patrimônio das vítimas.
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